Dia Mundial de Conscientização do Autismo


Autismo

Hoje, dia dois de abril, é o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, uma data muito importante, porque trás a tona um problema muito atual na sociedade, uma data que marca o combate a “inaceitável” discriminação e isolamento que pessoas com autismo sofrem. O autismo é um transtorno global de desenvolvimento (conhecidos pela sigla TGD), uma alteração que afeta a capacidade de comunicação do indivíduo, de socialização e de comportamento. O autismo afeta as crianças de maneira distinta, algumas, apresentam inteligência e fala intactas, outras apresentam sérios problemas no desenvolvimento da linguagem. Algumas parecem fechadas e distantes, outras presas a rígidos e restritos padrões de comportamento.

Em 2010, no Dia Mundial de Conscientização do Autismo, a ONU declarou que, segundo especialistas, acredita-se que a doença atinja cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo, afetando a maneira como esses indivíduos se comunicam e interagem. Devido ao numero de pessoas afetas por essa doença, iniciou-se discussões a respeito de uma possivel epidemia. Dados recentes do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) mostram que uma em cada 88 crianças nos Estados Unidos são diagnosticadas com autismo. Os dados novos de CDC, liberados ao público neste ultimo dia 29 de março mostram que incidência aumentou entre a população negra e hispânica, também é importante relatar a diferença na incidência por gênero, sendo que um em cada 54 meninos são diagnosticados com autismo, a proporção é cinco vezes maior que em meninas. Parte da justificativa para esse aumento parece estar associada a uma melhora no diagnóstico e conscientização da população.

Segundo a ASA (Autism Society of American), indivíduos com autismo usualmente exibem pelo menos metade das características listadas a seguir:

  1. Dificuldade de relacionamento com outras pessoas;
  2. Riso inapropriado;
  3. Pouco ou nenhum contato visual;
  4. Aparente insensibilidade à dor;
  5. Preferência pela solidão; modos arredios;
  6. Rotação de objetos;
  7. Inapropriada fixação em objetos;
  8. Perceptível hiperatividade ou extrema inatividade;
  9. Ausência de resposta aos métodos normais de ensino;
  10. Insistência em repetição, resistência à mudança de rotina;
  11. Não tem real medo do perigo (consciência de situações que envolvam perigo);
  12. Procedimento com poses bizarras (fixar objeto ficando de cócoras; colocar-se de pé numa perna só;      impedir a passagem por uma porta, somente liberando-a após tocar de uma      determinada maneira os alisares);
  13. Ecolalia (repete palavras ou      frases em lugar da linguagem normal);
  14. Recusa colo ou afagos;
  15. Age como se estivesse surdo;
  16. Dificuldade em expressar necessidades – usa gesticular e apontar no lugar de palavras
  17. Acessos de raiva – demonstra extrema      aflição sem razão aparente;
  18. Irregular habilidade motora – pode não querer chutar uma bola, mas pode arrumar blocos.

Sobre essa questão: “Age como se estivesse surdo”, é interessante um parenteses, muita vezes ocorre uma confusão no diagnóstico da criança devido a este fato, acredita-se que ela possua algum problema auditivo, o que não é verdade. Por isso, se é tão importante uma relação entre os profissionais da área de saúde, na descoberta dos diagnósticos.

E de modo geral, o tratamento tem quatro objetivos:

  1. Estimular o desenvolvimento social e comunicativo;
  2. Aprimorar o aprendizado e a capacidade de solucionar problemas;
  3. Diminuir comportamentos que interferem com o aprendizado e com o      acesso às oportunidades de experiências do cotidiano;
  4. Ajudar as famílias a lidarem com o autismo.

Comemorando-se o dia de hoje, e auxiliando para o fim da discriminação esclarecemos alguns mitos sobre o autismo:

MITO 1: as pessoas autistas vivem em seu mundo próprio, interagindo com o ambiente que criam

Não é verdade. Se, por exemplo, uma criança autista fica isolada em seu canto observando as outras crianças brincarem, não é porque ela necessariamente está desinteressada nessas brincadeiras ou porque vive em seu mundo. Pode ser que essa criança simplesmente tenha dificuldade de iniciar, manter e terminar adequadamente uma conversa.

MITO 2: geralmente se pensa em uma pessoa retardada ou que sabe poucas palavras

Problemas na inteligência geral ou no desenvolvimento de linguagem, em alguns casos, pode realmente estar presente, mas como dito acima nem todos são assim. Às vezes é difícil definir se uma pessoa tem um déficit intelectivo se ela nunca teve oportunidades de interagir com outras pessoas ou com o ambiente. Na verdade, alguns indivíduos com autismo possuem inteligência acima da média.

Por fim, e interessante relatar que a ciência falou pela primeira vez em cura de autismo, em novembro de 2010, com a descoberta de um grupo de cientistas nos EUA, liderado pelo pesquisador brasileiro Alysson Muotri, na Universidade da Califórnia, que conseguiu “curar” um neurônio “autista” em laboratório. O estudo, que baseou-se na Síndrome de Rett (um tipo de autismo com maior comprometimento e com comprovada causa genética), foi coordenado por mais dois brasileiros, Cassiano Carromeu e Carol Marchetto e foi publicado na revista científica Cell.

Referência: Globo e Revista Autismo

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