Educação para surdos


A Volta às aulas está aí, você sabe qual a melhor forma de educação para um aluno surdo? Deixe a sua opinião!

Nesta segunda-feira as rotinas escolares tomam conta do nosso país. Depois de quase dois meses de férias alunos da rede pública e particular de ensino voltam às aulas para o início do ano letivo. Como se sabe ainda é um desafio para alunos surdos compartilhar salas de aula com alunos ouvintes. Em algumas escolas existem as classes mistas que são vistas como uma alternativa para integrar as crianças com deficiência auditiva à comunidade, mas foram encontrados relatos negativos sobre essa forma de ensino.

Alunos desmotivados, com dificuldade de aprendizagem e inseridos em ambientes sem infraestrutura adequada são as principais causas em se optar para as classes especiais e para escolas especializadas em alunos com perda auditiva. A psicopedagoga Eloisa Lima, mestre em neurolinguística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), firma que, quando se trata de aprendizagem, a surdez é a mais complexa entre as deficiências. “O surdo acaba não desenvolvendo também a fala, porque ele não ouve e perde essa base. Isso não acontece com o cego, por exemplo”. A especialista explica que deficientes auditivos precisam ser estimulados por outros sentidos, como a visão e o tato. “Se a professora dá uma aula expositiva sem mostrar objetos e componentes do conteúdo, é prejudicial para o aluno ouvinte. Para o surdo é muitas vezes pior”, garante.

A mãe de uma criança com deficiência auditiva residente em Goiânia diz que o ambiente de uma sala apenas para surdos é melhor. “Se a professora explica a matéria e a criança não entende, os colegas surdos podem ajudar. Minha filha gosta muito de estudar e é bastante sociável, mas tem dificuldades em uma turma mista”, afirma. Ela acredita que a presença de um intérprete em sala de aula não é suficiente para dar conta das necessidades dos alunos. Além da cooperação entre colegas, a especialista Eloisa destaca a necessidade de a postura em uma sala de aula mista ser diferente. “A criança surda fica nervosa com excesso de movimento, luminosidade, pessoas falando sem ser em linguagem de sinais. Isso desorganiza a cabeça deles. Para aprender, precisam de foco, e esse não é o lugar apropriado”,diz.

Para a professora Valéria Cavetta, uma das coordenadoras do projeto Libras na Ciência, da Universidade de São Paulo (USP), separar ouvintes de surdos não é a melhor alternativa para estimular a aprendizagem. “Não sou partidária da separação no contexto da educação formal nem em qualquer outro. É interessante invertermos a problemática. Precisamos nos inserir na cultura dos surdos para compreender não somente o processo de socialização deles, mas também a Libras, como se dá a comunicação e, finalmente, a aprendizagem entre surdos e entre surdos e ouvintes. Acredito que temos mais a ganhar por meio de um trabalho que envolva surdos e ouvintes do que aquele que os segregue”, diz.

Valéria enfatiza, no entanto, que a inclusão de surdos na escola comum demanda a elaboração de meios que estimulem a participação e aprendizagem desses alunos. Além do ensino regular, a professora explica que os deficientes auditivos devem ter acesso ao Atendimento Educacional Especializado (AEE), um período adicional de horas de estudo. Além de momentos em que os conteúdos são ministrados em Libras, preferencialmente por um professor surdo, o AEE trabalha o ensino da língua específica e de Português, em aulas especiais para alunos com deficiência auditiva.

De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), em 2010, 71.283 alunos deficientes auditivos, surdos e portadores de surdez e cegueira estiveram matriculados na educação básica, tanto em classes regulares quanto em escolas ou turmas de ensino especializado. Até 2015, todos os cursos de licenciatura e pedagogia brasileiros deverão contratar um profissional de Libras. O objetivo é auxiliar na formação dos futuros professores da educação básica.

 

 

Fonte: (www.noticias.terra.com.br)

 

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