Estudo avalia perda auditiva em 5 profissões


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Um estudo desenvolvido na Faculdade de Ciências Médicas, da Unicamp, avaliou a perda auditiva em cinco categorias profissionais e mostrou que quem trabalha com transporte de cargas teve uma piora na audição.

Segundo o médico otorrinolaringologista Alexandre Scalli Mathias Duarte, que conduziu a dissertação de mestrado, como o trabalho de transporte de carga, muitas vezes, é externo, os trabalhadores podem ter retirado o protetor auricular.

A exposição ao ruído, no trabalho ou não, pode provocar uma série de problemas, como surdez, zumbido, dificuldade de compreensão da fala, hipersensibilidade ao som, irritação e distúrbios do sono.

Como funcionou a pesquisa

Foram analisados 18.973 exames audiométricos de trabalhadores do sexo masculino realizados pelo Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT), de 2000 a 2010, de oito empresas do Estado de São Paulo. Todas as empresas utilizavam Programas de Conservação Auditiva (PCA), com uso regular de Equipamento de Proteção Individual (EPI) auricular.

Ao todo, foram avaliados audiometrias recentes de 1.254 trabalhadores do setor metalúrgico, 266 trabalhadores do setor calçadista, 236 de transportadores de carga, 234 trabalhadores em cerâmicas e 150 da indústria cervejeira, todos expostos ao ruído ocupacional. E o grau de perda auditiva foi determinado por categoria, idade e por tempo de exposição.

Perda auditiva piora com a idade

Os sons, que podem ser de diversas frequências, são medidos em Hertz. Quanto mais grave, mais baixa frequência, e quanto mais agudo, mais alta frequência. A faixa de frequências de sons audíveis para o homem está entre 20 e 20 mil Hertz.

Na pesquisa, Alexandre estudou frequências audiométricas específicas: de 3, 4 e 6 mil Hertz (KHz) – que costumam ser as mais atingidas pela exposição crônica ao ruído.

A partir daí, os homens  foram classificados em quatro grupos de exposição: com até 60 meses de exposição; de 61 meses a até 120 meses; de 121 meses a 180 meses; e maior que 180 meses. De acordo com a pesquisa, houve piora auditiva significativa relacionada com a idade e com o tempo de exposição ao ruído nos quatro grupos em todas as categorias profissionais analisadas.

Segundo o pesquisador, a  perda da auditiva induzida pelo ruído começa após  cinco anos de exposição e se estende até 15 anos. Ela pode interferir na qualidade de vida, já que as pessoas escutam, mas passam a não compreender o que está sendo dito.

Como evitar a perda auditiva

A legislação orienta a realização de audiometria na contratação, depois de seis meses e anualmente para trabalhadores expostos ao ruído. No caso de trabalhadores com diagnóstico de perda auditiva, normalmente a audiometria é feita a cada seis meses ou a critério do médico.

As medidas de proteção ao ruído, somadas à proteção individual e aos programas de conservação auditiva das empresas, ajudam a reduzir o número de exames audiométricos, o afastamento do trabalhador e até ações trabalhistas.

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