Ouvir ou não ouvir, eis a questão


Verônica Sukaczer é mãe, esposa, escritora e vive com seu marido e seus dois filhos na Argentina, onde tirou o segundo lugar no Prêmio Nacional de Literatura para Crianças 2012. Seu problema auditivo tornou-a mais forte e livre, descobriu seu talento e encontrou seu caminho, apesar de ter perda auditiva sensorioneural progressiva em ambos os ouvidos.

De rejeição à aceitação

Quando Verônica tinha 6 anos de idade sua mãe descobriu que havia algo errado com a audição de sua filha. Elas visitaram vários especialistas e obtiveram muitos diagnósticos, desde perda auditiva leve a otosclerose. Naquela ocasião, os,médicos a recomendaram a não se preocupar muito com isso e por muitos anos não falaram sobre o assunto, o que por sua vez se tornou mais difícil de superar e aceitar a perda auditiva. Na verdade, esse problema se tornou o centro de sua existência.

Quando Verônica obteve seu primeiro aparelho auditivo com a idade de 15 anos ela relutou para não usá-lo, uma vez que não queria ser diferente de seus amigos.

“Anos depois eu concordei em usar aparelho auditivo em um dos ouvidos, mas eu só cheguei a usá-lo em ocasiões especiais,” lembra ela.

Quando adolescente sua perda auditiva tornou-se um problema, Verônica sentia-se envergonhada na escola porque ela não ouvia bem. Ela tornou-se inibida e se refugiou em seus livros.

“A leitura abre fronteiras para quem sofre de perda auditiva”, afirma Verônica que finalmente, aos vinte e poucos anos, começou a aceitar sua situação auditiva e a tirar vantagens da disponibilidade da tecnologia avançada.

“Claro que muitas coisas poderiam ter sido mais fáceis se eu estivesse sido aberta acerca de minha perda auditiva,” afirma Verônica, mas em certo sentido a perda auditiva a fez mais forte e independente. O mais importante é que isso a tornou numa leitora dedicada, levando a descobrir seu talento para escrever. Ela já chegou a escrever aproximadamente 20 livros.

Desenvolvimento pessoal

Verônica pode falar, hoje em dia abertamente, sobre seu problema de perda auditiva bilateral sensorioneural progressivo.

“Quando eu tinha 30 anos de idade, tive meu primeiro filho e foi a partir daí que eu comecei a usar aparelho auditivo, diariamente, desde o momento que eu despertava até a hora de dormir.”

Verônica considera sua mudança de atitude uma questão de desenvolvimento pessoal e maturidade. Ela já teve diferentes tipos de aparelhos auditivos e considera o processo de adaptação uma questão de paciência e ajustes profissionais. “Após alguns encaixes e ajustes eu passei a achar o aparelho auditivo confortável, e acho novo que cada novo lançamento de aparelho é melhor que o anterior,” conclui Verônica. Ela afirma também que ter paciência e gastar tempo com o especialista é crucial quando se trata de ajustes do aparelho auditivo.

“Eu sou uma pessoa muito exigente e é muito irritante saber que quando eu era criança os ajustes eram feitos sem eu participar desse processo.”

Mudando para melhor

O uso de aparelho auditivo mudou a vida da Verônica e durante muitos anos ela relutou para não usar aparelho auditivo, tendo dentre outros motivos o fato achar que iria se tornar dependente deles. Mas essa ideia desapareceu quando ela reconheceu que o uso de aparelho auditivo era para o seu próprio bem. Não há meio termo quando o assunto é ouvir ou não, ”ela comenta.

”Eu sempre fui independente, mas me tornei também mais confiante em mim mesmo. O aparelho auditivo me permite ouvir quase tudo. Eu escuto ruídos de fundo, vozes, música, posso participar de reuniões e desenvolver minha vida profissional.”

Verônica considera que o uso de aparelho auditivo é semelhante ao uso de óculos. Leva tempo para se adaptar, mas no dia em que você se ver acariciando sua orelha e tomando banho com seu aparelho, dado fato de não se lembrar de retirá-lo, a partir daí você perceberá que este se tornou parte de sua vida, proporcionando-lhe uma sensação de normalidade.”

Verônica trabalha atualmente mais como escritora do que como jornalista, tendo tido reconhecimento pelo seu trabalho, chegando a ocupar o segundo lugar no Prêmio Nacional de Literatura para Crianças 2012, na Argentina.

Além disso, ela ainda estuda e terminou, recentemente, um curso voltado para desenvolvimento e competência linguística de crianças surdas, “Logogenia”, o que tem contribuído para ela encontrar outras pessoas com problemas auditivos. E de certo modo ela está se redescobrindo a si mesmo.

Fonte: http://www.port.hear-it.org

 

Tópicos: Aparelhos Auditivos, Otosclerose, Perda auditiva
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