Projeto busca elevar a autoestima dos deficientes auditivos e visuais


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As limitações que os deficientes auditivos e visuais têm os fazem ultrapassar barreiras cada vez maiores. Seja na dança, na música, nas artes em geral, na escola, no mercado de trabalho ou em tantos outros lugares, quem nasceu com alguma deficiência física e está envolvido em um trabalho específico consegue perceber que ela não é um empecilho. Para explorar o potencial dessas pessoas, muitas instituições desenvolvem projetos que ajudam a melhorar sua autoestima e promover sua inclusão.

Oficinas para os deficientes

O Céu e Terra é um deles e oferece oficinas de balé e violão para deficientes auditivos e visuais. A iniciativa para a implantação do grupo surgiu depois de complicações enfrentadas pela bailarina, criadora e coordenadora Wilmara Marliére em decorrência da síndrome de Arnold-Chiari (má-formação rara e congênita do sistema nervoso central). “Houve uma época em que comecei a ficar surda e tive contato com o Instituto Santa Inês, especializado no atendimento a surdos. Quando melhorei, comecei a dar aulas lá e foi quando pensei em fundar um projeto”, lembra.

Em 1997, Wilmara criou uma metodologia de ensino de balé para surdos, com um grupo de oito alunas. As aulas eram ministradas no apartamento dela. Anos mais tarde, seu marido passou a ajudá-la no projeto, por meio da musicalização para deficientes auditivos. Atualmente, o Céu e Terra atende cerca de 65 pessoas entre 8 e 60 anos. A maioria é composta por deficientes auditivos, mas também há deficientes visuais e pessoas sem deficiências.

Como funcionam as aulas de balé

A aula de balé para surdos conta com uma metodologia específica que usa tubos de metal, varetas de madeira e pandeiros. Wilmara explica que esses instrumentos buscam estimular o pouco de audição que os alunos ainda têm. As aulas ocorrem no Colégio Arnaldo, no Bairro Funcionários, em Belo Horizonte, principal apoiador do Céu e Terra. “Além de ceder o espaço, eles dão um apoio financeiro para levarmos o projeto adiante”, destaca a coordenadora. A próxima apresentação de balé do grupo será no mês que vem e outra em março, e já estão sendo ensaiadas.

As dificuldades são grandes. Para a apresentação no ano que vem, o projeto precisa de dinheiro para arcar com os custos do figurino, entre outras despesas, e para a de dezembro estão sendo vendidas rifas para arrecadar o valor necessário. “Outra dificuldade que temos é conseguir monitores, pois precisamos de pessoas capacitadas para trabalhar com surdos e eles precisam ter uma técnica diferenciada”, afirma Wilmara. Segundo ela, a inclusão é uma barreira que deve ser quebrada. “Esses obstáculos não me desanimam. Precisamos romper isso, a partir do momento em que incluímos nos grupos pessoas com ou sem deficiência, para conviverem juntas. A emoção que tenho quando elas estão ensaiando é de dar arrepio no corpo. Tenho a sensação de tê-las adotado”, acrescenta.

Fonte: www.diariodepernambuco.com.br

 

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