Sons da UTI e o desenvolvimento dos prematuros


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Uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade de Washington apontou que o silêncio da UTI Neonatal pode prejudicar a audição dos bebês prematuros. De acordo com o estudo, essas crianças acabam sendo privadas de sons e ruídos benéficos (como sons e vozes humanas) que influenciariam em um melhor desenvolvimento da linguagem no futuro dessas crianças.

Um estudo anterior, que comparou prematuros que ficam em quartos compartilhados com prematuros que ficam em quartos individuais, mostrou que estes últimos apresentam uma linguagem mais pobre aos 2 anos. Especialistas acreditam que isso acontece por conta dos ruídos dos equipamentos médicos aos quais esses bebês são expostos na UTI: incubadoras, ventiladores mecânicos e alarmes, por exemplo, aparelhos que produzem sons muito “mecânicos”.

Quando o bebê prematuro é enviado para um quarto privado, a situação piora. Sons de outros bebês e até da equipe médica podem ser muito importantes para o desenvolvimento da audição dessas crianças.

Pediatras dizem que o som da voz humana, principalmente a materna, promove estímulos fundamentais para o desenvolvimento da linguagem. Isolado, o prematuro estaria privado deste estopim de desenvolvimento.

Exposição sonora dos prematuros

A partir da 16ª semana de gestação, o bebê começa a ouvir. Com 20 semanas, ele já é capaz de ouvir todos os barulhos do corpo da mãe e alguns sons externos.

Todos esses barulhos contribuem para o início do amadurecimento da audição do bebê, um processo que só se encerra na adolescência.

De acordo com a pesquisa, o ideal é que a criança entre em contato progressivamente com o mundo dos sons. É claro que o bebê não deve ser exposto a um ambiente ruidoso, mas o contato com vozes humanas e os barulhos cotidianos é importante.

No caso dos bebês da UTI, é preciso tomar um cuidado especial com os barulhos mecânicos. Muitos hospitais não fazem o controle adequado destes equipamentos. Um monitor apitando pode chegar a 80 decibéis – barulho muito superior aos 50 que a criança ouve dentro do útero – e podem interferir no desenvolvimento da audição do bebê.

Além de monitorar esses ruídos, os hospitais precisariam desenvolver ambientes mais humanizados.

Para os pais, a dica é sempre conversar com o bebê. Cantar músicas também ajudam a desenvolver a neuroplasticidade das células auditivas. De uma maneira geral, o contato com a voz humana traz benefícios que influenciam na concentração e na memória, entre outros benefícios.

Saiba mais sobre como proteger audição das crianças

 

Tópicos: Perda auditiva, Saúde Auditiva
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